Ilustração de pulmão com nódulo pulmonar destacado
Um nódulo pulmonar identificado precocemente em exame de imagem é a melhor chance de cura no câncer de pulmão.

O câncer de pulmão é o tipo de câncer que mais mata no mundo — responsável por mais mortes do que câncer de mama, cólon e próstata somados. No Brasil, ocupa os primeiros lugares em mortalidade oncológica. A razão principal não é só a sua agressividade: é que, na maioria dos casos, ele é diagnosticado tarde demais.

Por que o diagnóstico costuma ser tardio?

O pulmão não dói. As estruturas internas do parênquima pulmonar não têm receptores de dor. Um tumor pode crescer por meses ou anos sem causar qualquer sintoma percebido pelo paciente. Quando os sintomas aparecem — tosse persistente, falta de ar, dor no peito — o tumor frequentemente já está em estágio avançado, com comprometimento de linfonodos ou metástases a distância.

Estágio I significa tumor confinado ao pulmão, sem linfonodos comprometidos. A sobrevida em cinco anos supera 85%. No estágio IV, com metástases, cai para menos de 10%. A diferença entre esses números é o diagnóstico precoce.

Fatores de risco

O tabagismo é responsável por cerca de 85% dos casos de câncer de pulmão. O risco não é uniforme: depende da intensidade (quantidade de cigarros por dia), da duração (anos fumando) e do tempo desde a cessação. Ex-fumantes reduzem o risco progressivamente após parar, mas ele nunca volta ao nível de quem nunca fumou.

Outros fatores de risco relevantes:

Quando os sintomas aparecem?

Nos estágios iniciais — quando a cirurgia tem maior chance de cura — o câncer de pulmão geralmente não causa sintomas específicos. Os sintomas que levam ao diagnóstico costumam aparecer em estágio III ou IV:

A presença de qualquer desses sintomas não significa que você tem câncer. Significa que você precisa de investigação.


O rastreamento existe, é eficaz e está disponível

Para um grupo específico de pessoas, existe uma estratégia de detecção precoce com evidência científica sólida: a tomografia computadorizada de baixa dose do tórax (LDCT, do inglês Low-Dose CT).

Os estudos NLST (EUA) e NELSON (Países Baixos e Bélgica) demonstraram que o rastreamento anual com LDCT em fumantes pesados reduz a mortalidade por câncer de pulmão em 20 a 24%. É um dos maiores efeitos já demonstrados em rastreamento oncológico.

Redução de 20 a 24% na mortalidade por câncer de pulmão é expressiva. Para comparação, o rastreamento de câncer de mama por mamografia reduz mortalidade em cerca de 15 a 20%. O rastreamento com LDCT é tão eficaz quanto — e ainda subutilizado no Brasil.

Os critérios mais utilizados para indicação de rastreamento são:

Desde 2022, a ANS exige que os planos de saúde cubram a LDCT anual para esse grupo. Se você se enquadra nos critérios, pergunte ao seu médico sobre o rastreamento.

O nódulo pulmonar é sempre sinal de câncer?

Não. A grande maioria dos nódulos pulmonares encontrados em tomografias é benigna: cicatrizes de infecções antigas como tuberculose ou histoplasmose, granulomas calcificados ou tecido inflamatório. Isso é especialmente verdadeiro no Brasil, onde doenças granulomatosas são prevalentes.

Mas isso não significa que nódulos podem ser ignorados. O que determina se um nódulo é suspeito ou não inclui:

Um nódulo de 5 mm com bordas lisas em um não fumante de 35 anos tem conduta completamente diferente de um nódulo de 18 mm com bordas irregulares em um tabagista de 30 anos. Cada caso exige avaliação individualizada.

O que fazer diante de um achado suspeito?

Se você tem uma tomografia com nódulo pulmonar ou achado suspeito e ainda não foi avaliado por um especialista:

  1. Não ignore. Nódulos pulmonares raramente desaparecem sozinhos sem diagnóstico.
  2. Procure um especialista. O cirurgião torácico ou pneumologista pode orientar a conduta correta para o seu caso — que pode ser vigilância com tomografias seriadas, PET scan, biópsia ou ressecção cirúrgica.
  3. Leve as imagens originais. Os CDs ou arquivos digitais das tomografias — não apenas os laudos em papel. O especialista precisa ver as imagens.
  4. Não antecipe o pior. A avaliação existe para dar clareza, não para confirmar um temor. A maioria dos nódulos não é câncer. A minoria que é pode ser tratada com excelentes resultados quando detectada cedo.
Dr. Mateus Marques realizando biópsia percutânea de nódulo guiada por imagem
A biópsia percutânea, guiada por imagem, obtém material do nódulo para o diagnóstico definitivo.