Dr. Mateus Marques realizando cirurgia torácica em centro cirúrgico
Dr. Mateus Marques durante uma cirurgia torácica em centro cirúrgico.

A maioria das cirurgias do tórax que antes exigiam uma incisão longa e dolorosa pode hoje ser feita por três pequenos orifícios e uma câmera. A videotoracoscopia — chamada de VATS, do inglês Video-Assisted Thoracoscopic Surgery — transformou a cirurgia torácica nas últimas três décadas.

O que é a videotoracoscopia?

A VATS é uma técnica de cirurgia minimamente invasiva que permite operar dentro do tórax sem abrir amplamente o peito. Em vez de uma toracotomia convencional — a incisão longa na lateral do tórax que afasta as costelas — o cirurgião introduz uma câmera de alta definição (o toracoscópio) e instrumentos cirúrgicos por dois ou três orifícios de 1 a 2 cm. A câmera transmite a imagem para um monitor de alta resolução, dando ao cirurgião visão amplificada e precisa de todas as estruturas dentro do tórax.

A VATS não é uma versão mais simples da cirurgia aberta. É tecnicamente mais exigente. O resultado que parece simples para o paciente exige treinamento específico e volume de procedimentos da parte do cirurgião.

Quais condições são tratadas com VATS?

A videotoracoscopia permite realizar a maioria das cirurgias torácicas eletivas. As indicações mais frequentes incluem:

Como funciona o procedimento?

O paciente recebe anestesia geral. Na maioria das cirurgias torácicas, é posicionado de lado — o lado a ser operado voltado para cima. O cirurgião faz duas ou três pequenas incisões no espaço intercostal (entre as costelas). Por uma delas entra o toracoscópio; pelas demais, os instrumentos cirúrgicos.

Durante a operação, o pulmão do lado operado é levemente colapsado para abrir espaço de trabalho. Isso é controlado pelo anestesista, que ventila apenas o pulmão contralateral — técnica chamada de ventilação monopulmonar. Ao final, o pulmão é reexpandido, e um dreno é deixado temporariamente para eliminar ar e líquido residuais.

Na maioria dos procedimentos, o dreno torácico é retirado no primeiro ou segundo dia pós-operatório. Esse costuma ser o marco da alta hospitalar.

Vantagens em relação à cirurgia aberta

A VATS não é uma preferência estética — suas vantagens são documentadas em estudos clínicos de longo prazo:

Existe situação em que a cirurgia aberta é necessária?

Sim. A VATS tem limitações. Pode ser necessária a conversão para cirurgia aberta (toracotomia) em casos de:

A decisão de converter sempre é tomada pelo cirurgião durante a operação, com a segurança do paciente como único critério. Converter não representa falha — representa julgamento cirúrgico adequado.

A experiência do cirurgião faz diferença?

Muito. A VATS é tecnicamente mais exigente do que a cirurgia aberta. O cirurgião opera em um monitor bidimensional com instrumentos longos, sem a sensação tátil direta. Isso exige treinamento específico, coordenação adaptada e, principalmente, volume de procedimentos realizados.

Ao escolher um cirurgião torácico para um procedimento por VATS, pergunte sobre a experiência com casos semelhantes ao seu. Não apenas "você faz VATS?" — mas "quantas cirurgias como a minha você realizou por essa via?"

A cirurgia minimamente invasiva bem indicada e bem executada representa um avanço real para o paciente. O desafio não está na técnica em si, mas em ter acesso a um cirurgião experiente com ela.