O empiema pleural é uma infecção do espaço entre o pulmão e a parede torácica. Começa quase sempre como complicação de uma pneumonia não resolvida — e, quando não tratado no momento certo, evolui para um quadro grave que exige cirurgia.
O que é o espaço pleural?
O tórax tem duas membranas que envolvem cada pulmão: a pleura visceral (que adere ao pulmão) e a pleura parietal (que reveste a parede interna do tórax). Entre elas existe um espaço virtual com alguns mililitros de líquido que funciona como lubrificação, permitindo que o pulmão deslize suavemente durante a respiração.
Quando esse espaço se infecta — por bactérias que chegam a partir de uma pneumonia, de uma cirurgia ou de um trauma — o resultado é o empiema pleural: acúmulo de líquido purulento (pus) na cavidade.
Como o empiema se desenvolve?
O empiema evolui em três estágios, e o tratamento ideal é diferente em cada um:
- Estágio 1 — Exsudativo: o líquido ainda é fluido, com pouca bactéria e sem septos. Drenagem simples com agulha ou cateter geralmente é suficiente.
- Estágio 2 — Fibrinopurulento: depósitos de fibrina formam septações dentro da cavidade, aprisionando o líquido em "lojas" que dificultam a drenagem simples. Frequentemente exige dreno torácico mais calibroso ou fibrinolíticos intrapleurais.
- Estágio 3 — Organizacional: forma-se uma casca espessa de fibrose que envolve o pulmão, impedindo sua expansão. Neste estágio, a cirurgia — chamada decorticação — é quase sempre necessária.
Quais são as causas mais comuns?
- Pneumonia — causa mais frequente. O derrame parapneumônico pode infectar e evoluir para empiema se não tratado
- Complicação pós-operatória — após cirurgias torácicas ou esofágicas
- Trauma torácico — hemotórax infectado após acidente ou ferimento
- Abscesso pulmonar — infecção que rompe para a pleura
- Mediastinite — infecção do mediastino que se estende para a pleura
Como reconhecer os sintomas?
Os sintomas do empiema são frequentemente confundidos com piora ou recidiva de uma pneumonia:
- Febre persistente que não cede com antibióticos, ou que voltou após melhora inicial
- Dor torácica que piora ao respirar fundo (dor pleurítica)
- Falta de ar progressiva
- Tosse seca ou com secreção
- Mal-estar, fadiga, perda de apetite
- Em casos avançados: febre alta com calafrios, prostração
Um sinal prático importante: o paciente que foi internado por pneumonia, recebeu antibióticos, melhorou e depois piorou — ou que não melhora como esperado — precisa ser investigado para empiema.
Como o diagnóstico é feito?
O diagnóstico começa com a imagem. A radiografia de tórax pode mostrar o derrame, mas a tomografia computadorizada é o exame mais informativo: mostra o estágio do empiema, a presença de septações, a condição do pulmão e ajuda a planejar o tratamento.
A toracocentese — punção do líquido pleural com agulha — permite analisar o líquido: aspecto, pH, glicose, DHL, cultura de bactérias. Essa análise confirma a infecção e ajuda a escolher o antibiótico correto.
Quais são as opções de tratamento?
O tratamento depende do estágio:
- Antibióticos: presentes em todos os estágios, mas raramente suficientes sozinhos no estágio 2 e 3
- Toracocentese: aspiração com agulha — para estágio 1 com líquido fluido
- Dreno torácico: tubo inserido entre as costelas para drenagem contínua — estágio 1 e 2
- Fibrinolíticos intrapleurais: medicamentos injetados pela pleura para dissolver as septações — estágio 2
- Cirurgia (VATS ou aberta): desbridamento da cavidade e decorticação do pulmão — estágio 2 refratário e estágio 3
Qual o momento certo para chamar o cirurgião torácico?
O cirurgião torácico deve ser consultado quando:
- O paciente não melhora com antibióticos e drenagem simples em 3 a 5 dias
- A tomografia mostra septações extensas ou casca fibrótica (estágio 2/3)
- O dreno não drena adequadamente ou obstruiu
- O pulmão não reexpande após a drenagem
- O paciente piora clinicamente mesmo com tratamento em curso
A decisão de operar é sempre individualizada, levando em conta o estado clínico do paciente, o estágio do empiema e a resposta ao tratamento clínico.